Consumo consciente
Dor do pagamento
Lucas Toza Publicado em
Atualizado em

Você gosta de sentir dor?
Ninguém gosta, né? (Eu acho)
Por isso que inventaram o cartão de crédito.
O conceito da “dor do pagamento” foi criado através de estudos experimentais, demonstrando que o nosso consumo é sentido como uma perda e não como uma troca justa/neutra.
Perda = dor.
É assim que nosso cérebro entende. Quanto maior a dor, menor o consumo.
O prazer da compra e a hora de pagar
Os estudos observaram que diferentes métodos de pagamento geravam diferentes níveis de dor (do pagamento). Isso acontece por conta do fenômeno chamado desacoplamento, que separa o prazer da compra e a dor do pagamento.
- Dinheiro físico → dor imediata
- Cartão de débito e Pix → dor ligeiramente adiada
- Cartão de crédito → dor adiada por semanas
- A cereja do bolo: compras com 1 clique → “Ih, comprei que nem vi”
Pense num torcicolo.
É uma dor. E ela te limita de virar a cabeça para o lado. Quando não tem essa dor, você olha pro lado sem nem pensar.
Cartão de crédito é o relaxante muscular do torcicolo.
Você vai virar o pescoço com menos dor, mas uma hora a dor (fatura) chega.
Quem nunca experimentou ter uma nota “grande” na carteira e demorar a gastar até que trocou por notas menores e, de repente, aquele dinheiro todo foi gasto?
É mais fácil gastar 10 notas de R$ 10,00 do que uma nota de R$ 100,00.
Essa é a lógica do parcelamento no cartão de crédito:
“R$ 1.200,00 eu não consigo, mas 12x R$ 100,00 é de boa.”
E assim o ciclo:
Salário > pagar fatura > sem dinheiro > usa cartão
Até que o cartão fica maior que o salário e a bola de neve começa a rolar.
Cartão de crédito não é um vilão, mas é preciso MUITO cuidado para lidar com ele.